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Dica de filme: Na natureza selvagem

“O âmago do espírito humano pede novas experiências.”  

 

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Baseado em fNa Natureza Selvagematos reais, o filme dirigido por Sean Penn conta a história de Christopher McCandless, um jovem que doou à caridade o pouco que tinha e caiu na estrada, sem avisar ninguém. Fui. Não vou entrar no mérito se ele devia ter avisado pelo menos os pais (ou não) ou então sobre ter abandonado tudo quando tinha um futuro “brilhante” pela frente. Acho ridículo ficar julgando a vida ou decisões das pessoas. Cada pessoa é única, tem seus sentimentos e crenças e cabe somente a ela tomar suas decisões e conviver com as consequências. E foi com a mente aberta que assisti ao filme. Emocionante.

E para mim teve um significado especial, pois sempre quis fazer isso e, covarde que sou, não tive coragem para abrir mão dos poucos bens materiais e da sensação de segurança para ir em busca do desconhecido. Várias vezes no filme minha imaginação estava longe, trocando de lugar com o personagem. Sempre tive a fantasia de fazer o mesmo, largar tudo e fazer uma longa viagem. Só que o destino seria o Chile. Por que o Chile?na-natureza-selvagem02 Sinceramente não sei, talvez seja pelas belas paisagens, montanhas, rios, sei lá. Enfim, era esse meu sonho. E acho que meu fim seria o mesmo que o Alexander Supertramp teve. E foi por racionalizar demais que nunca tive coragem para viver meu sonho. Abrindo parênteses, muitos sonhos ficam pelo caminho porque pensamos demais, pensamos quando deveríamos sentir.

O vídeo do YouTube mostra a linda música do Pearl Jam (com legendas), que faz parte da trilha sonora do na-natureza-selvagem_1filme.

 

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02/10/2014 · 19:19

Lembranças que o tempo não apaga

Ilusões da Vida – Francisco Otaviano

“Quem passou pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu:
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu.”

Acho que serei um eterno saudosista, pois volta e meia fico lembrando momentos do passado. Sim, eu vivo o presente, talvez não como devesse, mas tenho os pés no chão (muitas vezes a cabeça na lua) e penso sim no futuro. Mas falar da infância e relembrar os momentos vividos com meus amigos tem um gostinho de saudade e de certa forma alegra a alma. Acho que já escrevi esse pensamento do Mário Quintana, mas ele é tão verdadeiro que não sai do pensamento: “O passado não reconhece seu lugar, está sempre presente.”

E nesses últimos dias tenho conversado com amigos de infância, pessoas que não vejo há anos… Alguns há muitos e muitos anos. Não vou dizer quantos, pois isso me faz parecer mais velho… Eu sei… Sou velho, mas não me sinto assim, no fundo no fundo sei que serei uma eterna criança, tanto é que ontem fui ver Zé Colméia no cinema… rs.

Então foi inevitável uma volta ao passado e volta e meia eu me pegava rindo sozinho… Nossa, tem coisas que eu nem lembrava mais… Momentos que estavam lá perdidos em algum canto da memória que eu nem sonhava mais lembrar. É como se fosse uma descida ao porão e abrir aquelas caixas empoeiradas, com teias de aranha. E quando conversamos com velhos amigos algumas palavras funcionam como se fossem as chaves de um velho baú, assim como os cheiros. Quantas vezes a gente sente um cheiro ou um gosto de algo e logo em seguida vem uma memória da infância?

Nunca fui um aluno exemplar, não era o melhor da turma, mas minhas notas eram boas e sempre passei por média, pelo menos no 1° grau. Confesso que às vezes passava com os pelinhos na cerca, mas passava. Conversando com o Sérgio me lembrei da primeira vez que me mandaram sair da sala. Aliás, eu e o Sérgio fomos mandados embora… Lembras disso Sérgio? Foi na 4ª série e a gente tinha que entregar uma redação… Na verdade tínhamos que escrever uma carta e eu não fiz. Bom, eu não sabia que tinha que escrever… Sei lá, devo ter dormido na aula ou, como sempre, naquele momento em que foi passada a tarefa deveria estar sonhando acordado. Sabe quando teu corpo está num lugar e o pensamento voando longe longe longe… Mas enfim, quis dar uma de esperto e falei que tinha esquecido a lição em casa. Pensei comigo, falo que vou até em casa buscar e faço rapidinho. Plano perfeito. Já o Sérgio admitiu que não havia feito. Era o certo a fazer e eu não fiz. Bom, o professor Otto nos mandou embora, eu para buscar a tal carta e o Sérgio para fazer e só depois voltar. Fui pra casa e surpresa: não havia ninguém. E agora? Como vou escrever? Voltei pra aula e falei o que não tive como entrar em casa. E isso era verdade, mas lógico que o professor sabia da minha mentirinha inicial. E o professor me mandou embora por não ter entregado a lição. Lembro que não fui pra casa, fui brincar na outra rua. A prefeitura tinha podado algumas arvores e os ramos estavam amontoados num canto. Fiquei ali brincando e quando vi meus coleguinhas passando na rua me escondi, pois estava envergonhado. Lição aprendida. Saudade do professor Otto, infelizmente ele já é falecido, mas guardo com carinho tudo que ele me ensinou. Aliás, estudar na Escola Luterana Emanuel foi uma ótima experiência, pois tive bons professores e conheci pessoas que mantenho contato até hoje. E a escola era “enorme”, tinham duas salas de aula: à tarde iam os alunos de 1ª e 2ª e de manhã os de 3ª e 4ª séries. Na sala da frente havia uma mesa de knips e a gente adorava jogar. A Silvana sempre “roubava”, a Fabiana também.  Tá, não era bem um roubo, mas elas levavam certa vantagem, pois levavam as pedrinhas com os dedos além do limite do tabuleiro.

Lembrei de outra agora… O pior frango que levei como goleiro, pelo menos foi o que mais marcou. Meu pai trabalhava na Prefeitura Municipal e conseguiu uma doação de pares de tênis para todos os alunos da escola e organizou um torneio de futebol na Sociedade Ginástica. E eu me escalei como goleiro, pois tinha o Leão como ídolo e uma camisa toda estofada. Me sentia o máximo. Tá, hoje em dia meu conceito do Leão é outro, mas naquela época era o meu herói. Bom, não lembro se fiz alguma defesa, mas lembro que a bola veio em minha direção, fraquinha, quase parando. Eu me agachei para pegar e… e… e… Bom, digamos que a bola passou pelo meio das pernas e entrou mansamente… Nem sei se chegou a balançar a rede. Lógico que abandonei a carreira de goleiro e meus ídolos passaram a ser o Renato Portalupi e o Hugo De León.

O tempo passa e a vida segue seu rumo…

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E a inocência já era…

Uma das minhas várias manias é a de observar as pessoas, ver suas expressões, sentir suas angústias ou alegrias e a partir daí criar meus conceitos, imaginar suas vidas, se estão felizes ou tristes. Se estou certo ou não, pouco importa, pois é um sentimento que guardo para mim, são coisas da minha imaginação e da minha cabeça. Acho legal ter esse “dom” da observação e de perceber certas coisas que muitas vezes passam batidas. Pode até parecer estranho, esquisito, sei lá, mas de certa forma isso me traz certo fascínio. É um assunto que me desperta interesse. E ao mesmo tempo me entristece, pois vejo coisas acontecendo e que não posso mudar. Dá um sentimento de impotência ver a vida seguindo um rumo e saber que não tem volta. Pior, não saber onde vai parar.

Outro dia estava conversando com um amigo no MSN e ficamos relembrando nossos bons tempos de Ruyzão e dos momentos que tivemos juntos. E depois disso fiquei viajando no tempo, relembrando os brinquedos e brincadeiras. Tive uma infância pobre e apesar de ter passado por várias situações tristes me considero privilegiado: cresci acreditando no Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa e vivi toda aquela magia e pureza que somente as crianças conhecem. Aliás, na Páscoa, meus pais escondiam nossos ninhos e diziam que era coisa do coelhinho. E eu acreditava. E me sentia feliz. E mais, me sentia gratificado com o pouco que ganhava. Brinquei de esconde-esconde, joguei futebol em um “campinho” cheio de árvores ou cheio de buracos, com bola de verdade ou feita de pano, andei de bicicleta (eu mesmo consertava a bicicleta quando estragava ou então pedia ajuda a um amigo), tive amigos de verdade, briguei na escola, apanhei, bati, corri e no dia seguinte estava tudo bem. Os nossos conflitos eram resolvidos na hora, olho no olho e não com difamações no Orkut ou outra coisa do gênero. Sabia a diferença entre certo e o errado. Cresci respeitando os mais velhos e, principalmente, meus pais.

Voltando às minhas observações e esse é o ponto onde quero chegar, é que há tempos venho percebendo algo triste: as crianças de hoje são infelizes e não sabem. Nunca saberão, pois roubaram sua infância e não foi o lobo mau nem o bicho papão. E pior, levaram junto sua inocência e todo encanto de ir descobrindo a vida aos poucos, no seu tempo certo. E quando a gente perde isso, perde tudo.

E com isso, a maioria das crianças não conhecem limites nem recebem uma educação moral correta e pior, não tem mais os “heróis” em quem se espelhar. Entenda-se por herói, primeiramente nossos pais, professores e aquelas pessoas que nos serviram de exemplo enquanto nosso caráter era formado. Quem são os heróis de hoje? Aqueles que participam do Big Brother? O ator ou atriz de novela que banaliza o sexo de tal forma onde tudo é normal e permitido?

Estou exagerando? Não sei, talvez, mas da próxima vez que for ao shopping, observa o comportamento das crianças. Não existe mais aquela pureza que tínhamos antes. As menininhas estão todas maquiadas, com roupas da moda, sensuais e os meninos também. Aliás, muitos nem dá pra saber se são meninas ou meninos. Pode me chamar de velho, mas não consigo aceitar e achar normal uma criança ter certas atitudes.

Mas não quero entrar no mérito da educação ou do sexo. É algo que não aceito e pronto. Quero falar da infância, dos brinquedos e das brincadeiras. A verdade é que a infância que vivi não existe mais se perdeu em algum lugar pelo caminho. Nada contra vídeo game ou computador, até acho legal jogar de vez em quando, mas onde foi parar aqueles jogos de tabuleiro? Ah, mas jogar no computador é muito mais “emocionante” do que jogar xadrez, War ou jogo de botão. É mesmo? Bom, estes jogos eu jogava com meus amigos, reuníamos uma galera na casa de alguém e passávamos horas juntos, onde indiretamente aprendíamos a nos socializar e desenvolver o raciocínio. Estes jogos me deram amigos e não meros contatos.

Bom, talvez esteja ficando velho mesmo, vai saber né… Mas eu ainda prefiro a infância que tive com todas suas limitações, pois aprendi várias lições que carrego comigo até hoje. E me sinto feliz por ter acreditado no Papai Noel e vivido todas aquelas fantasias que toda criança deveria ter.

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A curiosidade matou o gato

Sabe aquele velho ditado que diz que a curiosidade matou o gato? Então, a falta de prudência também. O excesso de confiança idem. Por que estou falando disso e escrevendo o óbvio? Simplesmente porque algumas pessoas (eu) não aprendem. Mas vamos aos fatos: quinta-feira a noite estava esta toupeira que vos fala, ou melhor, vos escreve baixando um filme. Download completo, clicou e tentou abrir o filme. O média player “pediu” para baixar um plugin e eu prontamente baixei. O Avast berrou! E eu prossegui. E eu me ralei. O computador reiniciou e tcharam! Tela azul. Sim, a temida tela azul. A maldita tela azul!  😦  Tudo bem, mantive a calma. “Vou restaurar o sistema e tudo volta ao normal“. Não restaurou e o que estava ruim foi ficando pior. A tentativa de restauração detonou com meus pontos de restauração. Ah é, é guerra? Formatei. Pronto, problema resolvido. Mas lembra da Lei de Murphy? “Nada é tão ruim que não possa ficar pior”. Não estou conseguindo instalar o driver da placa de rede e com isso a Wireless não funciona.

Mas tudo bem, para tudo tem uma salvação e,  de uma forma ou de outra, irei conseguir resolver o problema. Mas fica a lição. Não estou querendo dizer para deixar de ser curioso, não é isso. A curiosidade é importante e é ela que nos impulsiona para frente. Ninguém descobre ou experimenta coisas novas sem ser curioso. Mas é preciso um pouco de cautela e prestar atenção aos sinais. E eles estão lá, a gente que não quer enxergar. E eu não vi. Sou cego, não nego, enxergo quando puder (ou quando quiser). Mas isso é psicológico, não tinha nada para fazer mesmo… hehehe.

E a vida segue, a caravana passa e os cães ladram.


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O Homem dos Tanques

“Achei que convinha mais a pena correr perigo
com o que era justo do que, com medo da morte e do cárcere, concordar com o que era injusto.” SOCRATES

“… in Tiananmen Square/ Lost my baby there/ My yellow rose e lá lá lá…


Ao som das metralhadoras de Watching TV começo este post… ainda não sei exatamente sobre o que irei escrever, mas sei lá, senti vontade ou necessidade (ou os dois) de escrever algo. Na verdade a minha intenção era fazer um papel de carta e, ao olhar minhas fotos, me deparei com uma em especial, que marcou e nunca saiu do pensamento. Sabe aquelas imagens que falam por si, que tu bate o olho e fica tentando imaginar o contexto, sentimentos, medos? A primeira vez que vi esta imagem foi no Jornal Correio do Povo e de cara me chamou a atenção.

Praça da Paz Celestial/Pequim, em 5 de junho de 1989

Um jovem chinês, conhecido como “o homem dos tanques”, em sinal de protesto, tentou impedir a passagem de tanques, parando na sua frente, com quem diz: “por aqui ninguém passa!”. Uma luta inglória. Por alguns momentos ele até conseguiu. Foi uma cena surreal: o tanque da frente tentando desviar e ele desviando junto, até que o comboio parou. Olhando a imagem dá para se ouvir o silêncio. Ensurdecedor. Acredito que as pessoas nem respiravam naquela hora. Seria poético se não fosse triste. Logo após, o ching ling subiu no primeiro tanque e conversou algo com o piloto. O que eles falaram ninguém sabe, ninguém nunca saberá. Em seguida foi levado por dois homens de azul. A testemunha Charlie Cole acredita que o homem foi levado pela polícia secreta e foi um dos muitos executados, já a jornalista Jan Wong afirma que ele se refugiou em uma cidadezinha no interior da China.

Será que este foi um ato de bravura ou desespero? O que será que se passou na cabeça dele naquele momento? E do cara que pilotava o tanque? Tente se colocar em seu lugar. Tanto faz se for do piloto ou do rebelde desconhecido. Cada um teve seu momento de desespero, de incerteza e medo do desconhecido.

Fiquei emocionado ao ler isso. Por alguns momentos a história dele se confundiu com a minha. Não, não tive nenhum ato heróico e sim, algumas atitudes tomadas por puro desespero ou necessidade. E eu acho que essa foi a força que impulsionou o jovem chinês naquele momento. Lógico que ele teve que ter muita coragem naquela hora, mas quando a gente não vê outra saída a coragem vem com uma força tal que a gente nem sonhava ter e é esta força que nos leva a seguir sempre em frente.

A minha saída de Ijuí foi assim, meio que levada pelo desespero ou por ser a única esperança ou saída naquele momento. Tinha meus 18 ou 19 anos e estava sem emprego. Minha mãe estava sem emprego. E, lógico, nós estávamos sem dinheiro. A empresa onde trabalhava há anos havia falido e a situação estava ficando difícil, sem perspectivas e sem futuro. Inclusive sem presente. E, quando tudo parecia perdido surgiu uma oportunidade para tentar a vida em Campo Bom, com o sonho de um bom emprego e uma vida com mais dignidade. Abraçamos com as duas mãos e fomos rumo ao desconhecido. E sabe que isso é legal?! Lógico que dá um medo enorme, frio na barriga, noites e noites sem conseguir dormir direito de tanta preocupação. Mas é uma batalha compensadora e cresci muito com tudo que aconteceu.

Uma vez um capitão levou seus soldados à guerra e após passarem por uma ponte ordenou que a ponte fosse destruída. Foi para mostrar ao seu exército que não havia como voltar e a única alternativa deles era vencer a guerra.

E foi com esse espírito que seguimos para Campo Bom. Não tinha como voltar, pois a ponte foi quebrada e tudo ficou para trás. Era dar certo ou dar certo, de um jeito ou de outro, por bem ou por mal.

Mas voltando ao “homem dos tanques”, dizem que ele carregava duas sacolas, uma em cada mão. Será que ele imaginava tal ato? Eu acho que não. Não acredito que ele tenha saído de casa na manhã daquele dia 05 de junho de 1989 e pensado: “humm, o que vou fazer hoje? Ah já sei, vou parar em frente aos tanques para ver o que acontece…” Não meus amigos, aquela foi uma atitude de momento. Este jovem deve ter saído de casa pensando que aquele seria mais um dia em sua vida e, ao ver os tanques se aproximando, brotou um sentimento de revolta e indignação, talvez também de desilusão e falta de esperança. E ele soube, naquele exato momento que não poderia ficar parado. Sua hora havia chegado.

Alguém já parou para pensar na solidão que aquele homem sentiu naquele momento, parado em frente aos tanques, que se aproximavam? Que chances ele tinha? Relatos contam que no dia anterior (04/06/1989) tanques esmagaram veículos e pessoas que estavam pelo caminho e ele devia saber disso. Quais seus pensamentos? E os sentimentos: medo, raiva, tristeza, indignação, desilusão? Cara, e as sacolas? O que teria nas sacolas? Não tem como não pensar nisso. Seriam compras? Roupas? Livros?

Para alguns é apenas mais uma foto… eu vejo poesia, sentimentos e algo que não sei bem o que é mas que toca fundo na alma. A foto (montagem) dos operários é outra que me chama muito a atenção.


 

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A primeira faz tcham…

Nessa semana eu estava pensando em deixar crescer a barba, mais por preguiça de ter que fazê-la todo dia do que outra coisa. Deve ser legal ter uma barba imponente, de presença. Quem quando criança não ficava em frente ao espelho e enchia o rosto de espuma fingindo ter barba? Mas a verdade é que não posso ter barba. Sinto-me frustrado com isso. Por mais que eu queira ela não cresce. Ficam somente uns pêlos ching ling no rosto. Se tiver um pouco de paciência dá até para contá-los. É triste. É a vida, fazer o que… Deus deu pêlos para uns e inteligência para outros… hehe.

Sabe aqueles filmes de época, onde os homens tinham barbas sinistras e fumavam cachimbo? Então, o fotógrafo americano Dave Mead retratou homens com as mais estranhas barbas, tem para todos os gostos…



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Trilha sonora da minha vida

“Onde há música não pode haver coisa má.”

Miguel de Cervantes – 1547/1616

Dizem que a música, com o passar dos anos, conta nossa história, em suas entrelinhas. Será? Quem sabe… Talvez… Quem sabe…

Há tempos venho pensando nisso e muitas vezes pensei em fazer uma seleção das músicas que mais me marcaram. Músicas que quando ouço rola algum tipo de sentimento ou então saudade de alguma coisa que não sei bem o que é, ou às vezes até sei e finjo não saber. Nem todas têm história, algumas gosto do ritmo, de parte da letra ou simplesmente de uma frase, ou então, lembram momentos que passei: momentos alegres, tristes, coisas simples, do dia-a-dia.

Bom, chega de milongas e vamos à relação, fora de ordem de preferência ou de lembrança…

01.   Biafra – Sonho de Ícaro –> Essa é uma música que ouço desde criancinha e que volta e meia estou ouvindo… “cante uma canção em qualquer tom…”

02.   Blitz –A Dois Passos do Paraíso –> Sempre me perguntei quem seria o tal do Arlindo Orlando e porque será que desapareceu…

03.   Vicente Celestino – O Ébrio –> Meu pai ouvia muito essa música, se identificava com ela. A música é de 1935 e fala da decadência de alguém que buscou conforto na bebida. “… cada parente, cada amigo era um ladrão, me abandonaram e roubaram o que amei…”

04.   Daltro – Muito Estranho –> Lembro da minha avó e da época em que ela morava em Ijuí. Certo dia ela comprou um rádio gravador e duas fitas cassete: do Roberto Carlos e de uma novela (Sol de Verão) e essa música fazia parte da trilha sonora.

05.    Victor Hugo – Desgarrados –> Ô música linda! Adoro! Volta e meia me pego cantarolando ela: “faziam planos, nem sabiam que eram felizes, olhos abertos, o longe é perto, o que vale é o sonho… sopram ventos desgarrados carregados de saudades… mas o que foi nunca mais será…”

06.   Fábio Júnior – Pai –> Tema de uma novela de 1979 (Pai Herói), foi uma música que me marcou profundamente. Da novela não lembro direito, mas nunca esqueci da música. Quando criança não entendia porque diabos o pai dele era um bandido… hehe.

07.   Karnak – Juvenar à Conheci a banda numa entrevista do Jô Soares e gostei. E fala de um desejo que está amadurecendo…

08.   Gilson – Casinha Branca –> Complemento da música Juvenar, reflete meu sentimento. Não na parte da solidão, mas de ter uma vida mais simples, numa casinha no meio do mato ou pelo menos um pouco mais afastada da civilização, um refúgio da correria do dia-a-dia.

09.   Ivan Lins – A Bandeira do Divino –> Ouvi essa música no shopping Bourbon, em Porto Alegre. Lá estava eu a Juliana, olhando as vitrines quando passou uma turma com velas na mão, andando e cantando essa música. Linda!

10.   Jessé – Porto Solidão –> “Meu coração/A calma de um mar/Que guarda tamanhos segredos/Diversos naufragados/E sem tempo…”

11.   Luiz Marenco – Destino de Peão –> Passei anos e anos cantarolando partes dessa música, sem saber o nome nem quem cantava. Cresci ouvindo meu pai cantarolando e sempre que ouço bate saudades do seu Franklin, dos poucos momentos que tivemos juntos.

12.   Menudo – Se Tu Não Estás –> Menudo?  Ah, fala sério! Mas é sério. Não falei antes que algumas músicas lembram de momentos da minha vida? Enton, foi lá pelos idos anos 80, final dos anos 80, quando o Vilmar foi morar com meu pai. Eles eram primos, meu pai morava sozinho e o Vilmar precisava de um lugar para ficar. E ele tinha algumas fitas cassete com músicas de vários estilos e essa música fazia parte de uma delas e traz à lembrança alguns momentos. Várias vezes o Vilmar ia com a gente buscar pasto de elefante ou funcho para dar para a Filomena e a Gertrudes (duas coelhas) e a gente gostava de conversar com ele e ouvir suas histórias. Uma pessoa bacana que nem sei por onde anda…

13.   Os Três Xirus – O Alemão e o Delegado –> Sempre que ouvia essa música ficava imaginando o alemão sentado na delegacia conversando com o delegado…

14.   Pato Fu – Vida de Operário –> Momentos em que trabalhei na produção de uma fábrica de calçados… uma experiência legal…

15.   Sérgio Reis – Chico Mineiro –> Uma das primeiras músicas que conheci e que sempre tive curiosidade de saber se o tal Chico Mineiro existiu de verdade. Nunca me conformei com o desfecho da história.

16.   Sérgio Reis – Filho Adotivo –> Não tem como deixar o Sérgio Reis de fora da minha trilha sonora. Pudera, quando descobri o toca-discos portátil, ouvia direto um disco do Sérgio Reis. Fechei os olhos e lembrei de quando eu tinha uns 7 ou 8 anos e esta eu no tapete da sala, ouvindo esse disco e montando um quebra-cabeças que havia ganhado. Não sei porque, mas nunca esqueci disso.

Para quem quiser ouvir, disponibilizei na minha página no 4Shared. Para download, clique aqui.

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